USDA confirma soja recorde nos EUA, com 124 milhões de toneladas; milho tem a 2ª maior safra da história
Relatório de outubro elevou produtividade e estoques americanos. Milho caiu 20 centavos em Chicago, e soja fechou em alta. Para o Brasil, USDA manteve 186 milhões de t de soja.

Os Estados Unidos vão colher a maior safra de soja da sua história, segundo estimativa divulgada na sexta-feira (9) pelo Departamento de Agricultura do país (USDA). A previsão é de 4,56 bilhões de bushels, ou 124,1 milhões de toneladas, 7% a mais que em 2025. No milho, a estimativa subiu para 16 bilhões de bushels (407,3 milhões de toneladas), a segunda maior produção já registrada no país, atrás apenas da colheita do ano passado.
Os números estão nos relatórios de oferta e demanda (Wasde) e de produção (Crop Production) de outubro. O mercado esperava os dados para medir o estrago do calor e do excesso de chuva do verão americano em partes do Meio-Oeste. O resultado indicou perdas menores do que se temia.
Produtividade acima do esperado
A produtividade média da soja passou de 52,8 para 53,1 bushels por acre, cerca de 3,57 toneladas (59,5 sacas) por hectare, também recorde. No milho, a estimativa subiu de 178,5 para 181,2 bushels por acre (11,37 toneladas por hectare), acima da média de 177,7 bushels esperada por analistas, segundo Karen Braun, da Zaner Ag Hedge, citada pela Agri-Pulse. O número ainda fica abaixo dos 186,5 bushels de 2025.
A maior revisão veio de Nebraska, onde a produtividade do milho foi elevada de 177 para 188 bushels por acre em um mês.
Com mais grão, os estoques finais americanos de milho em 2026/27 foram elevados de 1,57 bilhão para 1,85 bilhão de bushels (47 milhões de toneladas), alta de 18%. Também pesou a revisão dos estoques iniciais, depois do relatório trimestral de 30 de setembro. Na soja, os estoques finais subiram para 315 milhões de bushels (8,6 milhões de toneladas), mesmo com a previsão de exportação elevada para 1,695 bilhão de bushels (46,1 milhões de toneladas).
Na Bolsa de Chicago, o milho para dezembro caiu 20,5 centavos de dólar na sexta, para US$ 4,7975 por bushel, segundo a Brownfield, a menor cotação em oito semanas, de acordo com a FarmFutures. A soja para novembro chegou a cair logo depois da divulgação, mas virou e fechou em alta de 4,5 centavos, a US$ 12,92 por bushel. O USDA manteve em US$ 12 por bushel a projeção de preço médio recebido pelo produtor americano de soja e cortou a do milho em 10 centavos, para US$ 4,70.
O que muda para o Brasil
Para o Brasil, o USDA manteve as projeções da safra 2026/27: 186 milhões de toneladas de soja, ante 180,5 milhões em 2025/26, e exportação de 118 milhões de toneladas, ante 114,5 milhões. No milho, a estimativa segue em 139 milhões de toneladas, com 43 milhões exportados. O número da soja é mais alto que o da consultoria Safras & Mercado, que na mesma sexta-feira projetou 181,8 milhões de toneladas para o país.
A China, maior compradora da soja brasileira, deve importar 115 milhões de toneladas em 2026/27, 2 milhões a mais que na temporada anterior, segundo o USDA. Os Estados Unidos devem embarcar 46,1 milhões de toneladas, 12% mais que os 41,2 milhões estimados para 2025/26.
Para o produtor do Centro-Oeste, que está plantando a soja a ser colhida a partir de janeiro, o quadro é de oferta folgada nos dois maiores exportadores. O USDA estima os estoques finais mundiais de soja em 124,3 milhões de toneladas. Segundo a FarmFutures, os números apontam mais um ano de colheitas historicamente grandes, o que pode limitar o espaço para alta de preços.
No mercado físico, a soja já vinha em queda. O indicador Cepea/Esalq da saca de 60 quilos no porto de Paranaguá (PR) fechou a sexta-feira (9) em R$ 154,75, recuo de 4,22% em outubro. O indicador do milho Esalq/BM&FBovespa, em Campinas (SP), ficou em R$ 67,35 por saca, queda de 1,92% no mês.
No milho, a concorrência atinge a safrinha de Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul, que é embarcada sobretudo no segundo semestre. Os Estados Unidos devem exportar 83,8 milhões de toneladas na temporada 2026/27, quase o dobro dos 43 milhões previstos para o Brasil.
Com informações de USDA (WASDE nº 676, 9/10/2026), USDA/NASS (Crop Production, 9/10/2026), Farm Policy News (Universidade de Illinois), Brownfield Ag News, Cepea/Esalq (soja), Cepea/Esalq (milho) e Safras & Mercado.



