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Boi gordo sobe 3,7% em outubro, enquanto plantio recorde derruba a soja

Arroba fechou a semana a R$ 377,80 em São Paulo, segundo o Cepea; saca de soja em Paranaguá caiu 4,2% no mês com o avanço rápido da semeadura.

Por Redação O Berrante ·

Lavoura de soja jovem em linhas retas sobre solo vermelho, vista bem de perto
Lavoura de soja em Alto Paraíso de Goiás (GO), em dezembro de 2016. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil (CC BY 2.0)

O boi gordo e a soja tomaram rumos opostos na primeira quinzena de outubro. O Indicador do Boi Gordo Cepea/Esalq, referência para o estado de São Paulo, fechou a sexta-feira (9) em R$ 377,80 por arroba, alta de 3,71% no mês e de 2,14% na semana. Já a saca de 60 quilos de soja no Porto de Paranaguá (PR) terminou a semana em R$ 154,75, queda de 4,22% em outubro e de 3,24% em sete dias.

O milho também recuou. O indicador Esalq/BM&FBovespa, com referência em Campinas (SP), fechou em R$ 67,35 a saca, baixa de 1,92% no mês.

Boi: China e oferta curta

A arroba sobe com a retomada das compras dos frigoríficos que exportam para a China. “A retomada gradual da movimentação das indústrias voltadas ao mercado chinês também será importante para a sustentação da demanda por animais”, avaliou Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, à Globo Rural. Ele ponderou que a concorrência com a carne de frango e a suína limita altas maiores.

No Centro-Oeste, os preços seguem abaixo de São Paulo. Segundo a Scot Consultoria, o boi gordo era negociado na sexta-feira a R$ 363 a arroba à vista em Campo Grande, R$ 361 em Dourados e R$ 360 em Três Lagoas. Em Goiânia, o valor era de R$ 351, e em Cuiabá, de R$ 342,50. Em São Paulo, a Scot apontava R$ 376 à vista.

Soja: plantio acelerado pesa nos preços

Na soja, a pressão vem do campo. O plantio da safra 2026/27 chegou a 19,77% da área no Brasil, o ritmo mais rápido já registrado pela consultoria Pátria AgroNegócios. Um ano antes, eram 12,86%. Em Mato Grosso, a semeadura passou de 33%.

O El Niño, que poderia atrasar o plantio, ainda não trouxe seca às principais regiões produtoras. “El Niño não trouxe seca para Mato Grosso e Goiás, surpreendendo o mercado, o que tende a baixar o preço cada vez mais”, disse à Globo Rural Ronaldo Fernandes, analista da Royal Rural.

Milho segura a margem

Mesmo com a baixa recente, o milho safrinha deu lucro ao produtor em 2025/26. Pesquisa da Aegro com propriedades atendidas pela empresa mostra margem mediana de 36,5%, ligeiramente acima dos 36,2% da safra anterior. Em Mato Grosso do Sul, a margem chegou a 40,4%; em Mato Grosso, onde o milho foi vendido mais barato, ficou em 28,9%.

“A primeira lição da pesquisa é que quem segurou a margem foi o preço, não a produtividade”, afirmou à CNN Brasil Mathias Bergamin, coordenador de inteligência de mercado da Aegro. Segundo ele, semear o milho até 15 de fevereiro rendeu de 15 a 25 sacas a mais por hectare do que plantar depois, o que torna o ritmo da soja agora decisivo para a próxima safrinha.

Com informações de Cepea/Esalq, Scot Consultoria, Canal Rural, Globo Rural e CNN Brasil.

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