Diesel S10 sobe mais de 20% no Centro-Oeste desde fevereiro; governo amplia medidas e mantém custo em R$ 40 bi
Litro do S10 passa de R$ 7,30 em MS, MT e GO, segundo a ANP. Governo zera tributos da gasolina e anuncia subsídio extra de R$ 1,40 ao diesel importado.

O óleo diesel S10, de baixo teor de enxofre, ficou mais de 20% mais caro nos postos do Centro-Oeste desde o fim de fevereiro. Na semana de 4 a 10 de outubro, o litro custava em média R$ 7,34 em Mato Grosso do Sul, R$ 7,66 em Mato Grosso e R$ 7,36 em Goiás, segundo o Levantamento de Preços de Combustíveis da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Na última semana de fevereiro, as médias eram de R$ 6,08, R$ 6,34 e R$ 6,01.
A alta foi de 20,7% em MS, 20,8% em MT e 22,5% em GO, parecida com a média nacional, que passou de R$ 6,09 para R$ 7,36 (mais 20,9%). Só no último mês, desde a semana de 6 a 12 de setembro, o S10 subiu R$ 0,45 por litro em MS, R$ 0,52 em MT e R$ 0,58 em GO. Na comparação com a semana anterior, os preços ficaram praticamente estáveis.
O diesel S500, com mais enxofre e preço menor, subiu menos. A média foi de R$ 6,76 em MS, R$ 7,22 em MT e R$ 6,82 em GO na semana de 4 a 10 de outubro, altas de 13,2%, 14,8% e 15,6% desde fevereiro. No país, o S500 custava em média R$ 6,98.
Nas cidades agrícolas
A pesquisa da ANP cobre só uma parte dos municípios. Entre os polos agrícolas do Centro-Oeste que aparecem na planilha, os preços médios do diesel na semana de 4 a 10 de outubro foram:
- Sorriso (MT): S10 a R$ 7,87 e S500 a R$ 7,25.
- Sinop (MT): S10 a R$ 7,88 e S500 a R$ 7,15.
- Rondonópolis (MT): S10 a R$ 7,49 e S500 a R$ 7,14.
- Rio Verde (GO): S10 a R$ 7,70 e S500 a R$ 7,01.
- Mineiros (GO): S10 a R$ 7,46 e S500 a R$ 6,94.
- Dourados (MS): S10 a R$ 7,42 e S500 a R$ 6,97.
- Ponta Porã (MS): S10 a R$ 7,78 e S500 a R$ 7,11.
Em Rio Verde, o S10 subiu 26,4% desde fevereiro, quando custava R$ 6,09. Em Dourados, a alta foi de 21,2%. Em algumas dessas cidades a ANP consultou poucos postos, de 3 a 13 por produto, o que torna as médias mais sensíveis a variações de um único revendedor.
O que o governo mudou
O Decreto nº 13.134, publicado em edição extra do Diário Oficial da União na sexta-feira (9), zerou de 10 de outubro a 9 de novembro o PIS/Pasep, a Cofins e a Cide sobre a gasolina. Segundo o Ministério da Fazenda, o corte passa de R$ 0,63 para R$ 0,89 por litro de gasolina A, a que sai da refinaria, antes da mistura com etanol anidro. O decreto também manteve zerados o PIS e a Cofins do etanol hidratado, equivalentes a R$ 0,19 por litro, e elevou a subvenção paga a produtores e cooperativas de etanol para R$ 0,428 por litro, contra R$ 0,251 até então. A Fazenda estima que as medidas para gasolina e etanol custem R$ 3,6 bilhões em 2026.
Para o diesel, não houve mudança nos tributos. A Fazenda anunciou uma subvenção adicional de R$ 1,40 por litro de diesel A rodoviário importado, por 30 dias, somada aos R$ 2,12 por litro já em vigor, segundo o ministério. A portaria deve sair na terça-feira (13), e o custo previsto é de R$ 1,6 bilhão. A base legal é a Medida Provisória nº 1.391, de setembro, que exige de quem recebe o benefício descontar o valor do preço de venda e informá-lo na nota fiscal. Segundo a Fazenda, 33% do diesel consumido no país é importado.
Também na sexta-feira, foi publicada a Medida Provisória nº 1.395, que abriu crédito extraordinário de R$ 7,52 bilhões para a ANP pagar as subvenções. Desse total, R$ 6,17 bilhões vão para o diesel rodoviário e R$ 1,35 bilhão para outros derivados de petróleo. Em nota à CNN Brasil, a Fazenda afirmou que esse valor já está dentro da estimativa de cerca de R$ 40 bilhões para o conjunto das medidas contra a alta dos combustíveis adotadas desde março, que o governo diz compensar com receitas extras do petróleo.
Na bomba, a gasolina comum custava em média R$ 6,42 em Mato Grosso do Sul na semana de 4 a 10 de outubro, com preços de R$ 6,09 a R$ 7,29, segundo a ANP. O valor mais alto foi registrado em Dourados, como mostrou o Campo Grande News, onde a média ficou em R$ 6,68. Corumbá teve a maior média entre as cidades pesquisadas no estado, R$ 7,06. Em Mato Grosso, a média foi de R$ 6,90, e em Goiás, de R$ 6,62.
Como a coleta terminou em 10 de outubro, primeiro dia de vigência do decreto, o efeito do corte de tributos na gasolina ainda não aparece nesses números. Ele só poderá ser medido a partir do levantamento da ANP da semana de 11 a 17 de outubro.
Com informações de ANP (Levantamento de Preços de Combustíveis, semanas de 22 a 28/2, 6 a 12/9, 27/9 a 3/10 e 4 a 10/10/2026), Ministério da Fazenda, Diário Oficial da União (Decreto nº 13.134/2026), Planalto (Medida Provisória nº 1.395/2026), Planalto (Medida Provisória nº 1.391/2026), CNN Brasil e Campo Grande News.



