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Entregas de fertilizantes caem 8,8% até julho; em Mato Grosso do Sul, recuo passa de 14%

Associação do setor atribui a queda à guerra no Irã, ao crédito caro e à relação de troca desfavorável; Mato Grosso concentra um quarto das entregas do país.

Por Redação O Berrante ·

Carreta carregada de sacas brancas no cais do porto, ao lado de um navio preto chamado Frotargentina e de guindastes
Carreta com carga ensacada no cais do Porto de Paranaguá (PR), em 2009. Paranaguá recebe um quarto dos fertilizantes importados pelo país. Foto: Deyvid Aleksandr Raffo Setti e Eloy Olindo Setti (CC BY-SA 3.0)

As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro somaram 22,99 milhões de toneladas de janeiro a julho, queda de 8,8% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram 25,22 milhões. Os dados são da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), que reúne a indústria do setor.

A queda se acentuou a partir de maio. Depois de um primeiro trimestre irregular, com alta de 18,7% em março, as entregas recuaram 14,7% em maio, 17,3% em junho e 22,3% em julho, mês em que ficaram em 3,96 milhões de toneladas.

O que explica a queda

Segundo a ANDA, o mercado esfriou com a guerra no Irã. “As compras seguiam normalmente no início do ano, mas após o início da guerra no Irã, viu-se o arrefecimento de novos negócios, o que acaba sendo percebido a partir do mês de maio nas menores entregas e que afetará as entregas para a safra 2026/2027”, afirma a entidade em nota.

A associação também cita a relação de troca acima da média histórica, ou seja, o produtor precisa vender mais grãos para comprar a mesma quantidade de adubo. Pesam ainda a falta de crédito, os juros altos, o risco de recuperação judicial de clientes e a incerteza climática com o El Niño.

Centro-Oeste

Mato Grosso continua sendo, de longe, o maior consumidor. O estado recebeu 5,84 milhões de toneladas no período, 25,4% do total nacional. Goiás ficou com 2,46 milhões e Mato Grosso do Sul, com 1,18 milhão.

Pelas planilhas da ANDA, a queda foi mais forte em Mato Grosso do Sul. Cálculo do O Berrante com base nos dados da associação mostra recuo de 14,2% no estado de janeiro a julho, e de 31,7% só em julho. Em Mato Grosso, a baixa foi de 4,3% no acumulado; em Goiás, de 1,9%. No Centro-Oeste como um todo, as entregas caíram 5,1%, para 9,51 milhões de toneladas, 41,4% do total do país.

Importação e produção também recuam

O Brasil importou 21,24 milhões de toneladas de fertilizantes intermediários de janeiro a julho, 7,6% a menos que um ano antes. O Porto de Paranaguá (PR), principal porta de entrada, recebeu 5,40 milhões de toneladas, queda de 10%.

A produção nacional caiu ainda mais, 19,7%, para 3,34 milhões de toneladas. A ANDA ressalva que os números estão incompletos, principalmente para ureia e cloreto de potássio, por causa de mudanças societárias e da retomada de fábricas, e cita a alta contínua do enxofre, matéria-prima dos adubos fosfatados.

Com informações de ANDA (Principais Indicadores 2026), ANDA (nota à imprensa) e Giro do Boi (Canal Rural).

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