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Café derruba venda agropecuária aos EUA, mas carne faz Centro-Oeste exportar mais aos americanos

Exportação de produtos agropecuários in natura aos EUA cai 17,8% até setembro, puxada pelo café; carne bovina congelada sobe 79% e leva MT, MS e GO a vender mais ao país.

Por Redação O Berrante ·

Vista do alto de um cafezal com fileiras curvas de pés de café, canaviais ao fundo e uma sede de fazenda com telhado de barro em primeiro plano
Cafezal em Altinópolis (SP), com canaviais ao fundo, em 2012. O café verde responde por quase toda a queda nas vendas agropecuárias aos EUA. Foto: Jonathan Wilkins (CC BY-SA 3.0)

As exportações de produtos agropecuários in natura do Brasil para os Estados Unidos caíram 17,8% de janeiro a setembro, para US$ 1,44 bilhão, segundo o Monitor do Comércio Brasil-EUA, da Câmara Americana de Comércio (Amcham), divulgado na sexta-feira (9). O Berrante conferiu os números no Comexstat, o sistema oficial de comércio exterior do governo federal.

O café verde explica quase toda a queda. As vendas do grão aos americanos recuaram de US$ 1,51 bilhão para US$ 1,21 bilhão (-20,1%), e o volume embarcado caiu de 237 mil para 195 mil toneladas. Dos US$ 313 milhões a menos no setor, US$ 305 milhões vieram do café. Mel, castanha de caju e peixes frescos também caíram, enquanto frutas como manga e abacate, pimenta-do-reino e erva-mate cresceram.

Carne vai na direção contrária

O recorte da Amcham considera só produtos sem processamento. Carnes, suco de laranja, açúcar e etanol entram na conta da indústria de transformação. Nesse grupo, o desempenho foi desigual, segundo levantamento do O Berrante no Comexstat:

  • Carne bovina congelada: alta de 78,8%, de US$ 859 milhões para US$ 1,54 bilhão.
  • Carne bovina fresca: alta de 125,9%, para US$ 185 milhões.
  • Suco de laranja: queda de 42,4%, para US$ 673 milhões.
  • Açúcar: queda de 59,8%. Etanol: queda de 58,4%.
  • Sebo bovino: queda de 33,4%. Fumo: queda de 31,8%.

Parte do avanço da carne aos EUA compensa a perda do mercado chinês. “Esse volume, para os Estados Unidos, ajuda a mitigar essa queda, mas o tamanho do mercado não é suficiente para absorver todo esse volume que caiu mais de 90% para a China”, disse ao Estadão Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Centro-Oeste vende mais aos americanos

Com a carne, os três estados do Centro-Oeste ampliaram as vendas aos EUA, na contramão do país. Pelos dados do Comexstat por estado de origem do produto, as exportações de Mato Grosso aos americanos subiram 62,5% de janeiro a setembro, para US$ 358 milhões. Mato Grosso do Sul avançou 39,7%, para US$ 595 milhões, e Goiás, 39,2%, para US$ 695 milhões.

A carne bovina congelada puxou o resultado nos três: alta de 164% em Mato Grosso, 67% em Mato Grosso do Sul e 62% em Goiás. No sentido oposto, as vendas de sebo caíram 37% em Mato Grosso e 50% em Mato Grosso do Sul, e as de açúcar goiano, 69%.

Tarifas pesam no total

Considerando todos os produtos, o Brasil exportou US$ 27,46 bilhões aos EUA nos nove primeiros meses do ano, queda de 6,5%. Segundo a Amcham, os itens sujeitos a sobretaxas americanas de 25% ou 37,5% recuaram 25,4%. Em setembro, as vendas subiram 31,9% sobre o mesmo mês de 2025, mas a base de comparação é fraca: há um ano vigoravam tarifas adicionais de até 50%.

Para o resto do mundo, o quadro é outro. As exportações agropecuárias brasileiras a todos os destinos cresceram 8,9% no período, para US$ 64,84 bilhões.

Com informações de Comexstat/MDIC, CNN Brasil (dados da Amcham), Canal Rural (dados da Amcham) e Diário do Comércio / Estadão.

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