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Simpósio em Campo Grande discute boi editado para tolerar calor; setor quer inseminar 30% das vacas até 2030

Evento reúne Embrapa, universidades e pesquisadores do exterior nesta quinta e sexta; Movimento G30, da Asbia, quer elevar de 23% para 30% a fatia de fêmeas inseminadas no país.

Por Redação O Berrante ·

Vista de cima de um botijão de nitrogênio líquido com várias hastes metálicas etiquetadas guardando palhetas de sêmen congelado
Palhetas de sêmen bovino congelado armazenadas em botijão de nitrogênio líquido. Foto: Uwemuell (CC BY-SA 3.0)

Campo Grande recebe nesta quinta (15) e sexta-feira (16) o I Simpósio Internacional de Reprodução e Fertilidade em Gado de Corte (SIMFertCorte), que vai discutir de edição gênica para aumentar a tolerância do gado ao calor até ajustes nos protocolos de inseminação em tempo fixo (IATF). Segundo o Canal Rural, o evento ocorre no auditório do Sistema Famasul e tem abertura da Embrapa Gado de Corte.

As inscrições pela internet terminaram no sábado (10), com 120 vagas. Segundo a programação, haverá inscrição presencial no dia do evento, com pagamento por Pix. O público-alvo são produtores, técnicos e estudantes.

Pelo curto contra o calor

Um dos destaques é a palestra do pesquisador Luiz Sérgio de Almeida Camargo, da Embrapa Gado de Leite, de Juiz de Fora (MG), sobre edição gênica para melhorar a tolerância ao calor. A equipe dele usou a técnica Crispr para induzir em bezerros da raça angus uma mutação que deixa o pelo curto, característica comum em animais adaptados ao clima tropical.

Segundo a Revista Pesquisa FAPESP, 16 embriões editados foram implantados em vacas em junho de 2024 e cinco bezerros nasceram. Dois deles, com 74% e 83% de edição no genoma, têm o pelo curto. A mutação atua no receptor do hormônio prolactina. O plano da Embrapa é formar um grupo inicial de animais que poderia ser levado ao Centro-Oeste, região mais quente, o que depende de aprovação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).

Ao Canal Rural, Camargo disse que as primeiras avaliações mostraram diferenças no comportamento e na resposta ao calor entre os animais editados e os não editados, mas que os resultados são preliminares. A próxima etapa é ampliar o grupo fundador, produzir a geração seguinte e fazer testes de campo com mais animais.

No mesmo dia, a geneticista Anna Denicol, da Universidade da Califórnia em Davis (EUA), fala sobre células-tronco embrionárias de bovinos, que no futuro poderiam ser transformadas em óvulos e espermatozoides em laboratório. A técnica ainda não está disponível para bovinos; os resultados mais avançados foram obtidos em camundongos. Na sexta-feira, o foco é a cria, com um panorama da atividade em Mato Grosso do Sul apresentado pelo Sistema Famasul e palestras de pesquisadores da Embrapa e de universidades sobre IATF, fêmeas precoces, embriões e fertilidade de touros.

Meta de 30% até 2030

O simpósio ocorre no momento em que o setor de genética tenta ampliar o uso dessas tecnologias. A Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia) idealizou o Movimento G30, que quer elevar de cerca de 23% para pelo menos 30% a parcela de fêmeas de corte e de leite em idade reprodutiva inseminadas no país até 2030. Pelos números do próprio movimento, o Brasil tem 70 milhões de fêmeas nessa condição. A meta significa passar de cerca de 16 milhões para 21 milhões de animais inseminados por ano.

O comitê gestor do G30 reúne Asbia, Abiec, Associação Brasileira de Andrologia Animal (ABRAA), Asbram, Assocon, Sociedade Brasileira de Tecnologia de Embriões (SBTE) e Embrapa. O movimento pretende estimular o uso do RenovAgro, linha de crédito para agricultura de baixo carbono que financia melhoramento genético animal, com limite de até R$ 5 milhões por produtor.

O mercado já está em alta. Segundo o Index Asbia, feito em parceria com o Cepea, a venda de sêmen de raças de corte a pecuaristas somou 7,88 milhões de doses no primeiro semestre de 2026, alta de 16,9% sobre o mesmo período de 2025. Para o presidente da Asbia, Luis Adriano Teixeira, a valorização do bezerro tem levado o pecuarista a buscar reposição de mais qualidade.

O Centro-Oeste é peça central para a meta: Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul somavam 72,1 milhões de bovinos em 2025, 30,8% do rebanho brasileiro, segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal do IBGE.

Com informações de Canal Rural, Faped (programação do SIMFertCorte), Revista Pesquisa FAPESP, Giro do Boi, Canal Rural (Index Asbia, 1º semestre de 2026) e IBGE (Pesquisa da Pecuária Municipal 2025).

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