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Enzima achada na raiz da cana multiplica por seis o açúcar extraído do bagaço, mostra USP

Descoberta pode baratear o etanol de segunda geração; resultado foi obtido em laboratório, após 17 anos de pesquisa, e ainda não foi testado em escala industrial.

Por Redação O Berrante ·

Canavial verde e baixo se estende até uma faixa de eucaliptos, sob céu azul
Canavial em Avaré (SP), em 2007. Foto: José Reynaldo da Fonseca (CC BY 2.5)

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) encontraram na raiz da cana-de-açúcar uma enzima capaz de aumentar em até seis vezes a quantidade de açúcar liberada do bagaço, matéria-prima do etanol de segunda geração. O resultado foi obtido em laboratório e publicado no periódico científico Journal of Experimental Botany.

O aumento não se refere ao açúcar produzido pela planta nem ao açúcar fabricado nas usinas. O ganho está na etapa em que o bagaço, resíduo da moagem, é quebrado por enzimas para virar açúcares simples, depois fermentados em etanol. Quanto mais açúcar se extrai, mais combustível sai da mesma quantidade de bagaço.

Como foi a descoberta

A equipe do Laboratório de Fisiologia Ecológica de Plantas (Lafieco), do Instituto de Biociências da USP, estudou o aerênquima, canais de ar que a cana forma nas raízes. Para criá-los, a própria planta desmonta parte de suas paredes celulares, o mesmo desafio enfrentado pela indústria para aproveitar o bagaço.

Os cientistas analisaram raízes da variedade SP80-3280 e identificaram mais de 32 mil genes ativos. Entre eles estava o de uma enzima chamada alfa-L-arabinofuranosidase, apelidada de ASD. A enzima foi produzida em levedura e adicionada a um coquetel enzimático comercial, já usado para processar biomassa.

“Inserimos a ASD no coquetel comercial e testamos no bagaço da cana-de-açúcar. Só essa adição aumentou em até seis vezes a produção do açúcar que, mais tarde, é convertido em etanol”, afirmou à Agência FAPESP o primeiro autor do estudo, o pós-doutorando Bruno Viana Navarro.

Ainda em fase de laboratório

O trabalho levou 17 anos e teve financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). A descoberta ainda precisa ser testada em escala maior antes de chegar às usinas.

O coordenador do laboratório, Marcos Buckeridge, destaca que a enzima vem da própria planta que gera o bagaço. “Pode ser que tenhamos descoberto um barril de ouro, mas até agora usamos uma moeda só”, disse, referindo-se às centenas de outras enzimas encontradas na raiz que ainda não foram testadas.

O tema interessa ao Centro-Oeste, onde a cana ganhou espaço nas últimas décadas. Mato Grosso do Sul foi o 4º maior produtor do país em 2025, com 55,3 milhões de toneladas, segundo o IBGE.

Com informações de Agência FAPESP, Journal of Experimental Botany (DOI 10.1093/jxb/erag174) e Canal Rural.

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