Solo argiloso e manejo sem revolvimento guardam mais carbono no Cerrado, aponta estudo
Análise de 30 pesquisas mostra que a vegetação nativa ainda supera lavouras e plantio direto em carbono no solo; próxima fase vai modelar áreas em MT e GO.

A quantidade de carbono que o solo do Cerrado consegue guardar depende muito do tipo de terra e da forma como ela é manejada. É o que mostra um estudo publicado no periódico Journal of Environmental Management por pesquisadores do Laboratório Nacional de Biorrenováveis (LNBR), do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), da USP e da Universidade Estadual do Colorado, nos Estados Unidos.
O trabalho é uma meta-análise, ou seja, reuniu e reanalisou dados de 30 pesquisas anteriores feitas no bioma. Os cientistas compararam vegetação nativa, lavoura convencional, plantio direto, pastagem e sistemas integrados, levando em conta temperatura, chuva, produtividade das plantas, textura e acidez do solo.
Argila e silte fazem diferença
O fator que mais pesa é a textura. Solos com mais silte e argila retêm mais carbono, porque esses minerais se ligam à matéria orgânica e a protegem da decomposição.
“Quanto mais silte e argila se tem, mais acúmulo de carbono se vai ter, porque esses minerais terão mais interações com o carbono”, explicou à Canal Rural a pesquisadora Sarah Tenelli, do LNBR, coordenadora do estudo. “E, se adotar práticas de manejo sustentáveis, que não revolvem o solo e protegem os agregados, vai ajudar na concentração desse elemento químico.”
Nativa ainda leva vantagem
Mesmo com práticas conservacionistas, as áreas cultivadas ainda armazenam menos carbono que o Cerrado nativo. Segundo o estudo, a vegetação nativa tem, em média, 7,3 gramas a mais de carbono associado a minerais por quilo de solo do que a lavoura convencional e o plantio direto.
Há, porém, uma boa notícia para o produtor: os pesquisadores concluíram que os solos analisados estão abaixo da capacidade máxima de retenção. Em outras palavras, ainda há espaço para acumular mais carbono com manejo adequado. Temperaturas mais altas e solos menos ácidos, por outro lado, reduzem a fração de carbono mais frágil, formada por restos vegetais.
O tema interessa ao agro porque o carbono estocado no solo é a base de programas de crédito de carbono e de certificações de baixa emissão. Segundo a Canal Rural, a próxima fase da pesquisa vai modelar sete áreas em Mato Grosso, Goiás, Bahia e Piauí.
Com informações de Journal of Environmental Management (DOI 10.1016/j.jenvman.2026.129964), CCARBON/USP e Canal Rural.



