Fertilizantes, comércio e dívidas rurais: o que dizem os planos de Lula e Flávio
Os dois prometem produzir mais adubo no país; Lula cita a fábrica de MS e o acordo Mercosul-UE, e Flávio propõe securitizar dívidas do setor e negociar “da China aos Estados Unidos”.

Na segunda parte da comparação entre os planos de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), O Berrante mostra o que Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) propõem para quatro temas que pesam no bolso do produtor: fertilizantes, comércio exterior, pesquisa agropecuária e endividamento. O segundo turno é em 25 de outubro.
Fertilizantes
Os dois candidatos querem reduzir a dependência de adubo importado, que hoje responde pela maior parte do que o Brasil usa.
Lula associa o tema à Petrobras. “Os conflitos internacionais evidenciaram a importância da autossuficiência em fertilizantes. Por isso a Petrobras retomou a produção com 3 unidades em Sergipe, Bahia, Paraná e as obras da unidade do Mato Grosso do Sul foram reiniciadas”, diz o plano, que promete seguir “acelerando a produção nacional de fertilizantes”. A unidade de Mato Grosso do Sul é a fábrica de nitrogenados de Três Lagoas. O petista também propõe ampliar o fomento aos bioinsumos “para reduzir a dependência de fertilizantes químicos importados”.
Flávio promete “apoiar a produção nacional de fertilizantes, com os minerais que o Brasil possui, como o potássio e o fosfato”, e fala em produzir adubo “a partir do gás”. O plano afirma que a dependência externa “fragiliza o produtor e pressiona o preço da comida”. Em outro trecho, defende abertura comercial para dar ao setor produtivo acesso a “insumos importados”.
Comércio exterior
Lula destaca a abertura de 656 novos mercados para produtos agropecuários e a conclusão dos acordos do Mercosul com a União Europeia, a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e Singapura. Promete novos acordos, reforço dos adidos agrícolas e missões comerciais, e consolidar o Mercosul “como principal plataforma de integração econômica”. O plano cita as “ondas de tarifaços” do governo Trump, mas não menciona a China.
Flávio promete “buscar soluções diplomáticas eficazes contra sanções dos Estados Unidos, da China e da Europa aos produtos nacionais” e afirma que vai negociar “com todos os que interessam ao Brasil, da China à União Europeia, dos Estados Unidos aos mercados asiáticos”. A prioridade declarada é retomar a adesão do Brasil à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O plano não menciona o Mercosul.
Pesquisa agropecuária
Lula é o único a citar a Embrapa: “A Embrapa será fortalecida para consolidar a liderança do Brasil em tecnologia agropecuária tropical, com investimentos em biotecnologia, edição genômica e cultivares mais resistentes a pragas e secas.”
Flávio não menciona a Embrapa. O plano promete dar “alta prioridade à pesquisa e ao desenvolvimento” e apoiar o uso de inteligência artificial em pequenas e médias empresas, com prioridade para indústria, agronegócio, saúde e logística.
Crédito e dívidas
Lula promete ampliar os recursos do Plano Safra, com “juros compatíveis com a rentabilidade da atividade agropecuária”, e diversificar o financiamento com o mercado de capitais e títulos do agronegócio. O plano cita o Desenrola para agricultores familiares, mas não traz proposta de renegociação para médios e grandes produtores.
Flávio propõe “ampliar o Seguro Rural e trazer ferramentas de securitização e reorganização das dívidas do setor, dando ao produtor o horizonte de mais de um ano que ele precisa para planejar”. O plano não detalha como seria a securitização nem cita o projeto de renegociação de dívidas rurais que tramita no Congresso.
Nenhum dos dois planos menciona a recuperação judicial de produtores rurais.
Com informações de TSE (planos de governo) e Globo Rural.



