Agricultura familiar, seguro rural e clima: o que dizem os planos de Lula e Flávio
Lula promete ampliar o Plano Safra da agricultura familiar e criar um seguro contra catástrofes; Flávio aposta em titulação de terras, irrigação e securitização de dívidas.

A duas semanas do segundo turno, marcado para 25 de outubro, O Berrante comparou o que os planos de governo de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), propõem para o campo. O plano de Lula tem 84 páginas, com uma seção dedicada à produção agrícola. O de Flávio tem 76, com um capítulo chamado “Agronegócio e Campo”.
Agricultura familiar e terra
Lula promete continuar ampliando o Plano Safra da Agricultura Familiar, “com juros compatíveis com o perfil do agricultor e tipo de produto, com prioridade para produção de alimentos da cesta básica”. O plano prevê crédito para agroecologia e orgânicos, linhas para jovens, mulheres e cooperativas, mais assistência técnica e extensão rural (Ater) e a priorização de alimentos frescos da agricultura familiar no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Também promete seguir com a reforma agrária, “assentando as famílias acampadas”.
Na alimentação escolar, o plano afirma que o governo já elevou para 45% a parcela das compras feita da agricultura familiar e para 80% a de alimentos in natura. A promessa é ajudar estados e municípios a cumprir essas metas.
Flávio não usa a expressão “agricultura familiar” no plano. A principal proposta para o pequeno produtor é a regularização fundiária. O texto lembra que o governo de Jair Bolsonaro emitiu mais de 450 mil títulos de imóveis rurais e promete “retomar esse ritmo e promover ampla regularização e titulação do pequeno proprietário rural”. O plano também propõe simplificar as outorgas de irrigação, que segundo o documento levam em média 24 meses, e ligar quem procura trabalho no campo a quem precisa de trabalhador, permitindo que beneficiários de programas sociais aceitem empregos temporários e voltem ao benefício se precisarem.
Seguro rural
Os dois prometem ampliar o seguro. Lula diz que dará “especial atenção ao fortalecimento da política de seguro rural” e propõe um instrumento para cobrir “perdas sistêmicas decorrentes de quebras severas de safra”, além de reforçar o Garantia-Safra e o acesso da agricultura familiar ao seguro.
Flávio promete “ampliar o Seguro Rural e trazer ferramentas de securitização e reorganização das dívidas do setor”. O plano também fala em ampliar a armazenagem e a produção nacional de fertilizantes, como potássio e fosfato.
Clima e produção sustentável
Lula propõe um programa nacional de resiliência climática no campo, com mais áreas irrigadas, conservação do solo, plantio direto, agricultura de precisão e integração lavoura-pecuária-floresta. O plano inclui a recuperação de pastagens degradadas, a rastreabilidade individual do rebanho e a meta de desmatamento líquido zero até 2030.
Flávio propõe obras de prevenção a eventos extremos, como barragens, reservatórios e drenagem, polos de irrigação no Matopiba e no semiárido e um sistema único de rastreabilidade das cadeias produtivas, com monitoramento por satélite. O plano defende o pagamento por serviços ambientais e afirma que o produtor que preserva “deve ser reconhecido como parceiro da conservação, não como suspeito”. A meta é zerar o desmatamento ilegal até 2029.
O que dizem os especialistas
Ouvido pela Globo Rural, o consultor e ex-diretor do Ministério do Desenvolvimento Agrário João Luiz Guadagnin criticou a falta de menção ao cooperativismo no plano de Flávio. Pedro Loyola, da FGV Agro, afirmou à revista que as propostas dos dois sobre seguro precisam evoluir de “uma declaração de intenção” para uma política nacional de gestão de riscos agropecuários.
Com informações de TSE (planos de governo) e Globo Rural.



