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Ferrovias, hidrovias e armazéns: o que dizem os planos de Lula e Flávio para a logística do agro

Lula promete nova edição do Novo PAC e mais concessões de ferrovias; Flávio fala em R$ 900 bilhões e cita a Ferrogrão. Nenhum dos dois menciona a Fico, a Malha Oeste ou a BR-163.

Por Redação O Berrante ·

Três caminhões graneleiros com carga coberta por lona trafegam em uma rodovia de pista simples, sob céu com nuvens
Caminhões graneleiros na BR-163, no acesso a Rondonópolis (MT), em março de 2009. Foto: Roosevelt Pinheiro/Agência Brasil (CC BY 3.0 BR)

Na terceira parte da comparação entre os planos de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), O Berrante mostra o que Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) propõem para a logística, tema que pesa no frete da soja e do milho do Centro-Oeste: estradas, ferrovias, hidrovias, portos e armazéns. O segundo turno é em 25 de outubro.

Lula promete uma nova edição do Novo PAC, o programa de obras do atual governo, “dando sequência a obras públicas e concessões”, e a continuidade dos arrendamentos nos portos públicos e da concessão da manutenção dos canais de acesso. Segundo o plano, o investimento em infraestrutura bateu recorde em 2025, com R$ 280 bilhões, e deve chegar a R$ 300 bilhões em 2026. O texto não fixa um valor de investimento para o próximo mandato.

Flávio promete investir R$ 900 bilhões em quatro anos em rodovias, hidrovias, portos, aeroportos e ferrovias, sem dividir o valor entre esses setores. O dinheiro viria sobretudo da iniciativa privada, com concessões, parcerias público-privadas (PPPs), um fundo lastreado na securitização de ativos e imóveis da União e financiamentos do BNDES “exclusivamente para obras em território brasileiro”. O plano afirma que o custo logístico equivale a 15,5% do PIB no Brasil, ante 8,8% nos Estados Unidos.

Ferrovias, hidrovias e armazéns

Lula promete manter o ritmo das concessões de rodovias e intensificar as de ferrovias “em duas frentes: leilão de novos projetos e repactuação dos contratos existentes”. O plano fala em revisar os planos nacionais de logística rodoviária, ferroviária, hidroviária, aérea e marítima e, no capítulo de política externa, em integrar a infraestrutura sul-americana, “com destaque para as conexões com o Pacífico e o Caribe”. O texto não cita nenhuma ferrovia ou hidrovia pelo nome nem menciona o Centro-Oeste.

Flávio promete criar “Corredores Logísticos Inteligentes” e desenvolver “os corredores de escoamento do Centro-Oeste até os portos”. Nas ferrovias, cita a Ferrogrão, que promete “destravar”, “o trem de cargas que ligará Mato Grosso, o oeste do Paraná e Santa Catarina” e a conclusão da Transnordestina. Nas hidrovias, menciona a do Tapajós, “com planejamento e diálogo prévio com as comunidades locais”. Também propõe levar combustível ao Centro-Oeste “por modais mais baratos que o caminhão”.

O plano de Flávio não dá nome ao trem de cargas do Sul nem detalha o traçado. Entre as ferrovias planejadas para a região, a Nova Ferroeste, projeto do governo do Paraná, prevê ligar Maracaju (MS) ao porto de Paranaguá (PR), com ramais até Foz do Iguaçu (PR) e Chapecó (SC).

Na armazenagem, Lula não traz proposta para a capacidade de armazéns de grãos. O plano cita a “retomada dos estoques reguladores”, os estoques públicos de alimentos, que chama de “fundamentais para reduzir a inflação de alimentos”, mas não apresenta meta para a área.

Flávio promete ampliar a capacidade de armazenamento das safras, que o plano chama de “hoje insuficiente para o que o país produz”. Segundo o texto, sem armazém “boa parte da colheita precisa ser escoada de uma vez”. Não há meta em toneladas, valor reservado ou linha de crédito para isso.

Projetos do Centro-Oeste fora dos planos

Nenhum dos dois planos cita pelo nome a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico), a Malha Oeste, a BR-163 ou a Rota Bioceânica, que vai ligar Mato Grosso do Sul aos portos do norte do Chile. A Fico está em obras entre Mara Rosa (GO) e Água Boa (MT), a cargo da Vale, como contrapartida pela renovação antecipada da concessão da Estrada de Ferro Vitória a Minas.

A Malha Oeste, ferrovia de cerca de 1.625 quilômetros entre Corumbá (MS) e Mairinque (SP), deve ganhar nova concessão. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aprovou os estudos e o plano de outorga em 21 de maio e prevê publicar o edital até o fim de 2026, segundo o diretor substituto da agência, Marcelo Cardoso Fonseca, ao Capital News.

Citada só por Flávio, a Ferrogrão deve ligar Sinop (MT) ao porto de Miritituba, no Pará. Também em 21 de maio, o Supremo Tribunal Federal (STF) validou, por maioria, a lei de 2017 que reduziu o Parque Nacional do Jamanxim para dar passagem aos trilhos. A decisão não autoriza as obras, que continuam dependendo de licenciamento ambiental.

Com informações de TSE (propostas de governo registradas, eleição presidencial 2026), TSE (DivulgaCandContas), CNN Brasil, Poder360, Rota Bioceânica (ANTT aprova projeto da Malha Oeste), Capital News e Agência Estadual de Notícias do Paraná (Nova Ferroeste).

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