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Startup da UFMS cria repelente natural com nanotecnologia contra a mosca-dos-chifres

Produto feito com óleos naturais chegou a 95% de eficácia em laboratório; equipe de Paranaíba (MS) agora busca testes a campo e patente.

Por Redação O Berrante ·

Vacas nelore brancas em uma estrada de terra vermelha entre pastos verdes, sob céu nublado
Gado nelore em propriedade rural de Bonito (MS), em 2013. Foto: Sergio Alexandre Korndorfer (CC BY-SA 3.0)

Uma empresa nascida dentro do câmpus da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) em Paranaíba, no leste do estado, desenvolveu um produto para controlar a mosca-dos-chifres, uma das pragas que mais tiram peso do gado no país. Batizado de Nanofly, ele usa compostos extraídos de óleos naturais, envolvidos por uma camada de nanotecnologia para durar mais tempo no animal.

Nos testes de laboratório, o produto chegou a 95% de eficácia no controle das moscas, segundo a equipe. O resultado foi divulgado pela UFMS nesta quinta-feira (8).

O Nanofly é da MTD Soluções Naturais, que se apresenta como a primeira deeptech de Paranaíba, termo usado para empresas baseadas em pesquisa científica. Fazem parte da equipe o professor de Medicina Veterinária Dyego Gonçalves Lino Borges, os técnicos de laboratório Marco Aurelio de Lara e Tamiris Aparecida dos Santos Silva e a estudante Tainara Costa da Silva.

Por que a nanotecnologia

A principal queixa contra os produtos biológicos no campo, segundo Lara, é que eles perdem o efeito rápido demais. “Os produtos biológicos, de modo geral, ainda sofrem com a descrença de alguns produtores, não pela baixa eficácia, mas pelo tempo disponível a campo”, afirmou o técnico à universidade.

A camada nanotecnológica serve para proteger os compostos dos óleos, que se degradam com facilidade. Com isso, o produto fica mais tempo agindo sobre as moscas. A equipe afirma que isso também deve reduzir o uso de inseticidas sintéticos e a exposição de quem aplica o produto no rebanho. O grupo ainda trabalha para isolar os compostos mais eficazes de cada óleo e combiná-los com técnicas já usadas pela indústria farmacêutica.

A pesquisa em nanotecnologia foi feita no Laboratório de Produtos Naturais e Espectrometria de Massas da UFMS, com o professor Carlos Alexandre Carollo. O projeto ficou em 6º lugar no Desafio Pantanal Tech de Inovação 2026 e teve apoio de programas do Sebrae e da Semadesc, a secretaria estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação.

Próximos passos

O produto ainda não está à venda. Os próximos passos são validar a nanotecnologia em fazendas, registrar a patente e fechar parcerias para novos testes. A meta é licenciar a marca para grandes empresas do setor. Uma das dificuldades, segundo a equipe, é encontrar propriedades dispostas a ceder espaço para a coleta das moscas usadas nos estudos.

A UFMS e a empresa não informaram se o produto já foi submetido a registro no Ministério da Agricultura, exigência para a venda de produtos veterinários.

Prejuízo bilionário

A mosca-dos-chifres (Haematobia irritans) passa a maior parte da vida sobre o boi e pica o animal várias vezes ao dia para se alimentar de sangue. O estresse reduz o ganho de peso e a produção de leite.

Um estudo publicado em 2014 na Revista Brasileira de Parasitologia Veterinária estimou as perdas potenciais causadas pela praga no Brasil em US$ 2,56 bilhões por ano. Em um experimento da Embrapa Gado de Corte em Campo Grande, bois nelore tratados continuamente contra a mosca ganharam 20,8 quilos a mais do que os animais sem tratamento, do desmame até o abate.

Com informações de UFMS, Campo Grande News e Embrapa Gado de Corte (Documentos 318).

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