Arroba do boi chega a R$ 385 em São Paulo com volta da China e cota extra dos EUA
Indicador do Cepea renova recorde a R$ 376,30; embarques aos Estados Unidos sobem 389% em setembro e frigoríficos retomam abates para a China.

O boi gordo renovou o recorde em São Paulo na quinta-feira (8). O Indicador do Boi Gordo Cepea/Esalq fechou a R$ 376,30 por arroba, maior valor nominal da série, com alta de 3,29% em outubro. No mercado paulista, os negócios ficaram entre R$ 370 e R$ 380, com lotes pontuais vendidos a R$ 385.
O Indicador do Boi Datagro em São Paulo chegou a R$ 376,13, contra R$ 367,02 uma semana antes. Segundo o Cepea, a liquidez segue alta e as escalas de abate variam de cinco a 12 dias nas regiões acompanhadas.
China e Estados Unidos
Parte da alta vem da volta da demanda chinesa. Os frigoríficos pararam os abates em julho, quando foi preenchida a cota de 1,1 milhão de toneladas livre da tarifa adicional de 55% fixada por Pequim. Agora retomam a produção para embarcar neste trimestre e chegar à China no início de 2027, já na cota do ano que vem. Em setembro, o Brasil vendeu só 12,9 mil toneladas aos chineses, 93,2% menos que um ano antes.
Os Estados Unidos também puxam o preço. Desde 1º de setembro vale uma cota adicional de 300 mil toneladas de carne bovina magra sem tarifa para fornecedores como o Brasil. Os embarques brasileiros ao país somaram 48,3 mil toneladas em setembro, alta de 389% sobre o mesmo mês de 2025 e o maior volume mensal em pelo menos três anos.
"O que não prevíamos era o custo de produção tão alto e a cota adicional dos Estados Unidos, que é um fator a mais para a alta dos preços", disse Paulo Mustefaga, presidente-executivo da Associação Brasileira dos Frigoríficos (Abrafrigo).
Reposição e câmbio
A reposição acompanha a alta. O Indicador do Bezerro Cepea/Esalq em Mato Grosso do Sul bateu recorde nominal de R$ 3.478,44 por cabeça na quinta-feira. Em Rondonópolis (MT), o bezerro é negociado perto de R$ 17 por quilo, e a arroba do boi subiu até R$ 10, para a faixa de R$ 345 a R$ 350.
O dólar mais baixo pode limitar o fôlego. Segundo João Otávio Figueiredo, da Datagro, recebendo menos reais pela carne exportada, os frigoríficos ficam com menos margem para pagar a arroba. A arroba brasileira está em torno de US$ 74, a mais barata entre os países exportadores. O mercado interno, que consome cerca de 65% da produção, também pesa, por causa do endividamento e da economia mais fraca, segundo a Abrafrigo.
Com informações de Canal Rural e Globo Rural.



