Queda de energia de 23 horas mata 450 mil peixes no Paraná e expõe risco para a piscicultura
Sem luz, aeradores pararam e o oxigênio dos viveiros acabou; prejuízo só com a reposição do plantel é estimado em R$ 2,5 milhões. MS e MT também estão entre os maiores produtores.

Um piscicultor de São João do Ivaí, no norte do Paraná, perdeu cerca de 450 mil peixes, ou 230 toneladas, depois de passar 23 horas sem energia elétrica. O caso foi relatado pelo Sistema Faep, que reúne a federação e o Senar do Paraná, e expôs a dependência da atividade em relação à rede elétrica.
Segundo o produtor Edilson Pini, a energia caiu por volta das 14h de 29 de setembro. À noite, o gerador da propriedade também falhou. Sem eletricidade, os aeradores, equipamentos que mantêm o oxigênio da água, pararam. A família tentou usar oxigênio granulado, sem sucesso. A luz só voltou às 13h do dia seguinte, depois de 28 contatos com a Copel, segundo Pini.
A propriedade produz há 40 anos cerca de 800 toneladas de peixe por ano em 15 viveiros, com frigorífico próprio, e abastecia a merenda escolar de 22 municípios. Só a reposição do plantel deve custar cerca de R$ 2,5 milhões, segundo a Faep. “Eu quero da Copel a nossa matéria-prima de volta para nos reerguermos”, disse o produtor.
O que diz a Copel
Em nota à Globo Rural, a Copel atribuiu a demora a “eventos climáticos severos consecutivos” e disse que precisou reconstruir a rede, com cabos rompidos e postes quebrados pela queda de galhos em área de mata e difícil acesso. Segundo a empresa, cinco equipes foram mobilizadas.
“Na piscicultura, a falta de energia significa falta de oxigênio nos tanques e, em poucas horas, perda de animais e prejuízos financeiros na casa dos milhões de reais”, afirmou o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette, que cobrou soluções da Copel para o meio rural.
Centro-Oeste também é grande produtor
O Paraná lidera a piscicultura brasileira, com 273 mil toneladas de peixe de cultivo em 2025, segundo o Anuário da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR). O Centro-Oeste também tem peso no setor: Mato Grosso do Sul produziu cerca de 40,6 mil toneladas, sobretudo tilápia, e responde por 19% das exportações brasileiras da espécie. Mato Grosso, com cerca de 45,7 mil toneladas, se destaca pelos peixes nativos, que representam cerca de 80% da produção do estado.
Como no Paraná, a criação intensiva em viveiros depende de aeradores elétricos, o que torna a estabilidade da energia no campo uma preocupação também para os produtores da região.
Com informações de Sistema Faep e Globo Rural.



