O Berrante
Receba no WhatsApp
O Berrante

Notícias do agronegócio

Pecuária

Boi de Mato Grosso vale até R$ 35 a menos por arroba que o de SP; MS acompanha a alta paulista

Com escalas curtas, frigoríficos pagaram mais em São Paulo e em Dourados na semana; em Cuiabá, o preço ficou parado e a diferença para a praça paulista chegou a 9%.

Por Redação O Berrante ·

Gado nelore branco pastando em campo verde com buritis e uma chapada de paredões avermelhados ao fundo
Gado nelore em pastagem de Campos Belos (GO), em 2014. Foto: Carlos Ebert (CC BY 2.0)

A alta do boi gordo em outubro não chegou do mesmo jeito a todo o Centro-Oeste. Na sexta-feira (9), último dia de negócios antes do feriado, a arroba à vista em Mato Grosso valia de R$ 340,50 a R$ 343,50, segundo levantamento da Scot Consultoria. Em Barretos e Araçatuba, no interior de São Paulo, o preço era de R$ 376. A diferença ia de R$ 32,50 a R$ 35,50 por arroba.

Em Mato Grosso do Sul, a distância é bem menor. A arroba estava em R$ 363 em Campo Grande, R$ 361 em Dourados e R$ 360 em Três Lagoas, de R$ 13 a R$ 16 abaixo da referência paulista. Em Goiás, o boi era negociado a R$ 351 em Goiânia e R$ 349 no sul do estado.

Em termos percentuais, a Scot calcula que a praça de Campo Grande ficou 3,48% abaixo de São Paulo; Goiânia, 6,68%; e o sudoeste de Mato Grosso, 9,49%, a maior diferença entre as regiões do Centro-Oeste.

Cuiabá parada, Dourados em alta

O levantamento semanal da consultoria Safras & Mercado, divulgado pelo Canal Rural, mostra como as praças andaram em ritmos diferentes. No preço a prazo, a arroba subiu 4,11% em São Paulo na semana, para R$ 380, e 4,23% em Dourados, para R$ 370. Em Goiânia, a alta foi de 2,86%, para R$ 360. Em Cuiabá, o boi ficou em R$ 345, sem mudança em relação à semana anterior.

Segundo o analista Fernando Iglesias, da Safras, a oferta de animais segue curta e os frigoríficos trabalham com escalas de abate de cinco a sete dias úteis, o que os obriga a subir as ofertas para completar as programações. Para ele, a tendência de curto prazo continua de alta, mas com intensidade diferente entre as praças.

No mercado paulista, o Indicador do Boi Gordo Cepea/B3 fechou a sexta-feira em R$ 377,80 à vista e R$ 382,02 a prazo. No mês, a alta acumulada é de 3,71%.

Para o boi China, a diferença se repete

A distância aparece também no boi destinado à China, com até 30 meses de idade, que costuma receber um prêmio dos frigoríficos. Pela tabela da Scot, a arroba desse animal a prazo era de R$ 385 em São Paulo, R$ 370 em Mato Grosso do Sul, R$ 360 em Goiás e R$ 352 em Mato Grosso.

Na prática, um boi de 20 arrobas vendido à vista em Cuiabá rende cerca de R$ 670 a menos que um animal igual vendido em Barretos, pelos preços de sexta-feira.

A diferença pesa porque o rebanho está concentrado no Centro-Oeste. Segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal do IBGE, Mato Grosso tinha 31,6 milhões de cabeças de bovinos em 2025, o maior rebanho do país, três vezes o de São Paulo (10,3 milhões). Goiás somava 22,5 milhões, e Mato Grosso do Sul, 17,9 milhões.

No atacado, ainda segundo a Safras, o quarto traseiro bovino subiu 1,29% na semana, para R$ 28,50 o quilo, e o dianteiro ficou estável em R$ 21,50. Iglesias avalia que a carne bovina perde competitividade frente ao frango e à carne suína, o que limita novos reajustes.

Com informações de Cepea/Esalq (Indicador do Boi Gordo Cepea/B3), Scot Consultoria, Canal Rural (Safras & Mercado) e IBGE (Pesquisa da Pecuária Municipal 2025).

Mais em Pecuária