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Ferrugem da soja avança no Paraná com El Niño; Centro-Oeste ainda não tem registro na safra

Incidência em soja guaxa no PR e em SP saltou de 12,5% para 47,2% em um ano; no Centro-Oeste, chuva extra preocupa sobretudo o sul de Mato Grosso do Sul.

Por Redação O Berrante ·

Close da face inferior de uma folha de soja com várias pústulas marrom-claras de ferrugem soltando esporos
Pústulas de ferrugem asiática esporulando em folha de soja, vistas ao microscópio. Foto: Florida Division of Plant Industry Archive/Bugwood.org (CC BY 3.0 US)

O El Niño acendeu o alerta para a ferrugem asiática, a doença mais temida da soja, no início do plantio da safra 2026/27. No Paraná e no sul de São Paulo, o monitoramento da Fundação ABC, mantida por cooperativas da região, encontrou a doença em 47,2% das áreas de soja guaxa e perene avaliadas em setembro. No mesmo mês de 2025, a incidência era de 12,5%.

A soja guaxa é a planta que nasce sozinha de grãos caídos na colheita, em beiras de estrada, barrancos e cercas. Ela serve de abrigo para o fungo entre uma safra e outra. Segundo a Fundação ABC, as geadas fracas deste inverno não foram suficientes para eliminá-la.

“O produtor vai plantar com uma pressão de inóculo muito maior em comparação à safra anterior, já em decorrência do El Niño”, disse à Globo Rural o pesquisador Giovanni Kochinski, da fundação.

Por que o El Niño favorece a doença

O fungo se espalha com umidade alta e folhas molhadas por muitas horas. Segundo a Embrapa, o El Niño tende a trazer chuvas mais intensas e concentradas ao Sul entre setembro e dezembro, e acima da média em São Paulo e no sul de Minas Gerais entre outubro e dezembro.

No Centro-Oeste, o quadro é diferente. A Embrapa prevê maior risco de seca em Mato Grosso, Goiás e no Distrito Federal, com o período mais crítico entre novembro e janeiro. Já Mato Grosso do Sul, principalmente o sul do estado, deve ter mais chuva, o que exige mais atenção ao monitoramento da ferrugem nas lavouras sul-mato-grossenses.

Nenhuma lavoura comercial atingida até agora

Pelos registros do Consórcio Antiferrugem, rede coordenada pela Embrapa Soja, a safra 2026/27 ainda não tem nenhuma ocorrência em lavoura comercial no país. Há quatro casos em soja voluntária, todos no Paraná: Santana do Itararé, Ponta Grossa, Irati e Rio Branco do Ivaí. Não há registro em Mato Grosso, Goiás ou Mato Grosso do Sul.

Na safra passada, 2025/26, o consórcio contabilizou 379 ocorrências, mais que o triplo das 124 de 2024/25. Segundo a Embrapa Soja, a doença pode causar perdas de até 90% da produtividade se não for controlada.

Calendário no Centro-Oeste

O vazio sanitário, período sem soja viva no campo para quebrar o ciclo do fungo, já terminou nos três estados. A janela de semeadura definida pelo Ministério da Agricultura para 2026/27 é:

  • Mato Grosso: de 7 de setembro de 2026 a 7 de janeiro de 2027.
  • Mato Grosso do Sul: de 16 de setembro a 31 de dezembro de 2026.
  • Goiás: de 25 de setembro de 2026 a 2 de janeiro de 2027. Uma instrução normativa da Agrodefesa antecipou o início para 20 de setembro, só nesta safra.
  • Distrito Federal: de 1º de outubro de 2026 a 8 de janeiro de 2027.

Para quem for aplicar fungicida em período chuvoso, Kochinski recomenda que haja pelo menos de 6 a 8 horas entre a aplicação e a primeira chuva, para não comprometer a eficácia do produto.

Com informações de Globo Rural, Consórcio Antiferrugem, Embrapa e Mapa (Portaria SDA nº 1.579/2026).

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