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El Niño pode ser o mais forte desde 1950, e calor ameaça a soja no Centro-Oeste

Agência americana vê 83% de chance de evento histórico até dezembro; Inmet prevê chuva abaixo da média no centro-norte de MT e no norte de GO, com temperaturas acima do normal.

Por Redação O Berrante ·

Mapa-múndi da temperatura da superfície do mar, com uma faixa alaranjada de águas mais quentes que o normal no Pacífico equatorial, junto à costa da América do Sul
Anomalia da temperatura da superfície do mar em 30 de junho de 2026. A faixa alaranjada no Pacífico equatorial é a marca do El Niño. Foto: União Europeia, Copernicus Marine Service (CC BY 4.0)

O El Niño que se forma no Oceano Pacífico continua ganhando força e pode se tornar o mais intenso já registrado desde 1950. Em boletim divulgado na quinta-feira (8), o Centro de Previsão Climática da NOAA, a agência americana de oceanos e atmosfera, estimou em 83% a chance de o fenômeno atingir nível histórico no trimestre de outubro a dezembro.

Em setembro, a temperatura da água no Pacífico central, o principal termômetro do El Niño, ficou 2,1 °C acima da média. Em partes do Pacífico leste, perto da costa da América do Sul, a anomalia passou de 4 °C. Segundo a NOAA, a chance de o El Niño seguir entre forte e muito forte até março de 2027 é superior a 83%.

Seca no norte, chuva no sul

No Brasil, o boletim mais recente do Inmet, feito em conjunto com Inpe, ANA, Cemaden e outros órgãos federais, prevê para outubro a dezembro chuva abaixo do normal em grande parte do Norte, em parte do Nordeste e do Centro-Oeste, e temperaturas acima da média em quase todo o país.

No Centro-Oeste, o déficit de chuva deve se concentrar no centro-norte de Mato Grosso, no norte de Goiás e no Distrito Federal. Segundo o Inmet, a falta de água no solo pode atrapalhar a semeadura e o estabelecimento das lavouras de soja, milho e feijão de primeira safra. A umidade deve se recuperar a partir de novembro, e em dezembro o excesso de chuva pode aumentar o risco de doenças fúngicas e dificultar as pulverizações.

O quadro não é igual em toda a região. O Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) prevê chuva acima da média no centro e no sul de Mato Grosso do Sul.

Calor acelera o ciclo da soja

Mesmo onde chover, o calor preocupa. Em entrevista ao Canal Rural, o meteorologista Artur Müller afirmou que as temperaturas podem passar de 40 °C sem que haja uma onda de calor oficial. “Isso deve acelerar o ciclo do cultivo, diminuir a produtividade. Se não tem uma boa palhada, aumenta a evapotranspiração”, disse. A palhada é a cobertura de restos da cultura anterior que protege o solo do sol.

Segundo o Inmet, a estação chuvosa deve se firmar no centro do país entre o fim de outubro e meados de novembro. A próxima atualização da NOAA sobre o El Niño está marcada para 12 de novembro.

Com informações de NOAA/Climate Prediction Center, Inmet (Painel El Niño nº 4) e Canal Rural.

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