El Niño deve trazer seca ao Centro-Oeste e chuva em excesso ao Sul, alerta Embrapa
Período mais crítico para as pastagens no Brasil Central vai de novembro a janeiro; recomendação é ajustar a lotação e formar reservas de forragem desde já.

O El Niño previsto para 2026/2027 deve afetar a pecuária de formas diferentes em cada região, segundo orientações divulgadas pela Embrapa em 6 de outubro. A principal recomendação aos pecuaristas é antecipar o planejamento da alimentação do rebanho.
A agência americana de oceanos e atmosfera (NOAA) estima em 83% a probabilidade de o fenômeno seguir ativo e forte até o primeiro trimestre, segundo o Giro do Boi. A projeção indica máximas acima de 40 °C com frequência no Matopiba, no Norte e no norte do Centro-Oeste, com mais risco de incêndios em pastagens e lavouras.
Região por região
No Centro-Oeste, Mato Grosso, Goiás e o Distrito Federal têm o maior risco de seca, com chuva atrasada ou irregular, veranicos e calor. O período mais crítico vai de novembro de 2026 a janeiro de 2027. O sul de Mato Grosso do Sul pode ter chuva acima da média, ainda com risco de veranico, e no Pantanal o pecuarista deve acompanhar o nível dos rios e o risco de incêndio.
No Norte, a estação seca pode se prolongar, com rios mais baixos e pastagens perdendo qualidade mais cedo. No Semiárido nordestino, a falta de água deve pesar mais no início de 2027; a orientação é formar reservas de alimento, manter bancos de palma-forrageira e planejar o abastecimento de água.
No Sudeste, parte de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais pode ter chuva acima da média, enquanto o norte mineiro e o Espírito Santo tendem a ficar mais secos. O calor é risco para o gado de leite nas bacias de Minas Gerais e São Paulo.
No Sul, a chuva deve ser mais intensa e concentrada, principalmente entre setembro e dezembro de 2026, com risco de encharcamento, erosão e compactação do solo. A recomendação é reforçar a cobertura do solo e a drenagem.
O que fazer agora
Em todas as regiões, a Embrapa recomenda ajustar o número de animais à oferta de pasto, planejar reservas de forragem, garantir água e sombra e acompanhar as previsões. Na faixa de estiagem, o Giro do Boi destaca o manejo do estresse térmico do rebanho e a construção de aceiros contra incêndio.
Com informações de BeefPoint e Giro do Boi.

